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quinta-feira, 17 de março de 2011

A financeirização da fome

A financeirização da fome

Nos últimos 30 anos, a desregulamentação e a liberalização da finança quebraram as barreiras impostas pelas reformas dos anos 30 do século passado, criaram os supermercados financeiros e promoveram a securitização dos créditos. No vendaval das reformas neo-liberais, os governos abandonaram as políticas de estabilização de preços baseadas na formação e operação de estoques reguladores (ainda que os países desenvolvidos tivessem mantidos os subsídios a seus agricultores) e submeteram os mercados de commodities, instáveis por sua própria natureza, ao capricho e à sanha especulativa dos mercados futuros. O artigo é de Luiz Gonzaga Belluzzo, especial para a Carta Maior.
Luiz Gonzaga Belluzzo - Especial para Carta Maior
 
Depois do crash de 1929, o Glass-Steagal Act proibiu o envolvimento direto dos bancos comerciais em operações nos mercados de capitais, mercados imobiliários e na especulação nos mercados de alta volatilidade, como é o caso das commodities. Nos últimos 30 anos, a desregulamentação e a liberalização da finança quebraram as barreiras impostas pelas reformas dos anos 30 do século passado, criaram os supermercados financeiros e promoveram a securitização dos créditos. Na verdade, as inovações financeiras alteraram as relações entre bancos de depósito, bancos de investimento e outras instituições financeiras que se aproximaram das funções cumpridas pelos bancos comerciais. Ao mesmo tempo, estes passaram a executar funções próprias dos bancos de investimento, ao criar os SIVS (Special Investment Vehicles) para carregar os papéis lastreados nas operações de crédito, não só os hipotecários.
Entre outras consequências, as transformações impulsionaram a securitização dos créditos, estimularam a “alavancagem” (palavra horrível) abusiva - ou seja, a utilização do crédito barato para sustentar a posse de ativos em desproporção perigosa com o capital próprio. Na maioria dos casos, antes da crise, a relação era de 30 para 1. Não espanta que tais procedimentos da alta finança tenham promovido o inchaço das operações com derivativos nos mercados futuros de juros, câmbio, matérias-primas e alimentos. No vendaval das reformas neo-liberais, os governos abandonaram as políticas de estabilização de preços baseadas na formação e operação de estoques reguladores (ainda que os países desenvolvidos tivessem mantidos os subsídios a seus agricultores) e submeteram os mercados de commodities, instáveis por sua própria natureza, ao capricho e à sanha especulativa dos mercados futuros.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O Campo e a Nossa Formação.

O Campo e a Nossa Formação

Quais são as grandes questões colocadas para nós, jovens brasileiros e sergipanos, quando estamos prestes a escolher um curso de ensino superior?

Qual é a concorrência? Dá dinheiro? Termina logo? O mercado está aberto?

Infelizmente a educação no Brasil deixou que este cenário tomasse forma e escondesse o que deveria ser substancial, para dar lugar à falsas questões.

A Educação parece não ter sentido para o conjunto da sociedade e as questões aparecem, cada vez mais, como se cada indivíduo fosse possuidor do seu próprio destino.

Bom! Não estamos nós querendo jogar um balde de água fria logo na primeira semana de calourada com um papo sério, chato e tals. É justamente o contrário, queremos dar sentido a essa animação, na medida em que acreditamos na força da juventude crítica e firme.

É com este propósito que nós do CALEA convidamos todos os Calouros e Calouras a se envolverem numa reflexão sobre o campo e nossa atuação. Para agora somente instigaremos algumas questões:

O que é formação profissional?

Nós do CALEA/FEAB (Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil) entendemos por formação a simples explicação: formação é Formar para Ação. Mas não se trata de uma abstração, esta questão nos traz outra: Formaremos para que finalidade? E a nossa Ação se dará em que contexto, em qual realidade?

A primeira coisa de que precisamos para tais respostas é de uma boa análise da realidade. Que campo é esse, que agricultura é essa que é praticada no Brasil e quais os desafios?

Sabemos que o Brasil, ao longo da história, somou inúmeras contradições sociais e econômicas, e que boa parte destas contradições advieram de problemas agrários. Os mais notáveis foram: A grande concentração de terra, o uso de mão de obra escrava, o desrespeito ao meio ambiente e a cultura das populações. E hoje em dia? Parece que se passou muito tempo, muita tecnologia e investimentos de várias matizes, mas será que houveram grandes mudanças?

Infelizmente poucas, enquanto 80% da população brasileira acotovela-se nas cidades disputando um prato de comida a bala, 25 grandes empresas controlam 25 milhões de hectares de terras agricultáveis. O Brasil possui 354 milhões de hectares de terras agricultáveis. Porém 46 proprietários controlam 60% delas enquanto que 5 milhões de pequenos agricultores, meeiros e arrendatários ficam com o que sobra. 23 milhões de trabalhadores trabalham na agricultura (40% da população economicamente ativa) em 64 milhões de hectares, os outros 290 milhões de hectares ficam parados. A China com 94 milhões de hectares de terras agricultáveis alimenta 1,2 bilhões (25% da população mundial) de pessoas em condições satisfatórias, segundo a ONU, conforme os padrões estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde, com índices de proteínas e de calorias bem superiores à média brasileira.

Pelo visto temos muitas questões a enfrentar e por isso devemos nos orgulhar por ter escolhido um curso que toma para si tantos desafios, pois para mudarmos o curso da história precisamos enfrentá-los com muita pesquisa, técnicas, inovações e política.

Por enquanto deixaremos estas reflexões, afim de enterrar aquelas perguntinhas que citamos no início do texto, as quais nunca nos levou a nenhum lugar.

Alegremo-nos Calouros e Calouras, pois adentramos um mundo complexo e bonito, pois escolhemos estudar a ciência agrária, a ciência da vida!

Ivan Siqueira Barreto

sábado, 14 de fevereiro de 2009

AO PASSARINHO DO SERTÃO

AO PASSARINHO DO SERTÃO

Se transformou em passarinho pra poder cantar o sertão. Tinha sua terra, seu ninho, deles vinha inspirações. Fez da seca seu escudo, da poesia fez seu estudo, doutor em belas canções.
Não tinha asas de pássaro, mas delas não precisava, pois com a imaginação o sertão sobrevoava, buscava em cada galho, ou numa flor que caía, tecer com versos um atalho, pra poder criar poesia.
Somente um passarinho poderia relatar, o que há em nosso sertão, em toda noite de luar. Viu morrer Nanã de fome, viu nordestino migrar, mas ele ficou ali, usando o próprio sentir, para a sua vida animar.
Patativa do Assaré, poderia ser do Brasil, e também da humanidade. Por uma simples verdade, de que; quem nasceu e se doou, a vida inteira cantou com tamanha liberdade, não poderia ser mesquinho e acabar dentro de um ninho e ser de alguém propriedade.
Com a sua ideologia viva, era assim o Patativa, gostava de ter um lado, defendia o sofredor, por ser um trabalhador, sabia o que era um arado.
E as poesias de sua mão grossa, com sabedoria imensa, quando os olhos lhe falhavam ditava suas sentenças, por fim lhes faltou a voz, mas resistia entre nós com sua forte presença.
Aquele que faz poesia é igual a um passarinho, mesmo ficando calado, isolado em seu cantinho, carrega a simbologia de ser a própria poesia se emendando em pedacinhos.
Patativa do Assaré, mistura de ave e gente. Quando queria trabalhar, naquele lugar tão quente, se tornava brasileiro e passava o dia inteiro produzindo sua comida, mas, de um momento para outro, virava um pássaro solto fazendo poesias da vida.
Quis partir, deixar a terra e as árvores do sertão, assim é a natureza que nos leva pela mão; nos faz tropeçar nos anos e um dia interrompe os planos como um final de canção.
Este passarinho alegre, vai continuar entre a gente, quando não for pelas letras, será pela voz consciente, que nos dirá em cada verso, que este pequeno universo será seu eternamente.
Patativa da poesia, do canto do sabiá, que colocou os poetas, cada qual em seu lugar. Aqueles que na cidade, com a sua honestidade podem a vida rimar; e os demais no sertão, disse ele com razão: “Cante lá que eu canto cá”.
Dizer adeus não precisa, pra quem estará presente. Assim se resume a vida, de quem vive plenamente. Ainda mais quem faz poesia, terá sempre a garantia, seja de noite ou de dia é um perfume que se sente.
Patativa passarinho, que tudo dito ou cantado, seja herança de beleza, a nós, teus filhos, doado. Carregaremos contentes pois sempre será presente o que fizeste no passado.
Termino com um verso seu escrito no pé da serra, onde a poesia se chama “Caboca de Minha Terra” é ali onde você diz com seu jeito natural: “Quem me dera sê poeta/Da mais rica inspiração/ Pra na linguage correta/ Fazê do choro canção/ Fazê riso do gemido./ Ah! Se o esprito sabido/ De Catulo e Juvená/ Falasse por minha boca,/ Promode eu cantá a caboca/ Da minha terra natá”.

Ademar Bogo

domingo, 11 de janeiro de 2009

MUITO ALÉM DE UMA PORTA... - Aos Calouros!!!

MUITO ALÉM DE UMA PORTA...

Dr. Içami Tiba – Psicoterapeuta


Se você encontrar uma porta à sua frente, poderá abri-la ou não.
Se você abrir a porta, poderá ou não entrar em uma nova sala.
Para entrar, você vai ter que vencer a dúvida, o titubeio ou o medo.
Se você venceu, você deu um grande passo: nesta sala vive-se.
Mas também tem um preço: são inúmeras as outras portas que você descobre.
O grande segredo é saber quando e qual a porta deve ser aberta.
A vida não é rigorosa: ela propicia erros e acertos.
Os erros podem ser transformados em acertos, quando, com eles, se aprende.
Não existe a segurança do acerto eterno.
A vida é generosa: a cada sala em que se vive, descobre-se outras tantas
portas.
A vida enriquece a quem se arrisca a abrir novas portas.
Ela privilegia quem descobre seus segredos, e generosamente oferece
afortunadas portas.
Mas a vida também pode ser dura e severa: se você não ultrapassar a porta,
terá sempre a mesma porta pela sua frente.
É a repetição perante a criação.
É a monotonia cromática perante o arco-íris.
É a estagnação da vida.
Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

DISCO VIRTUAL

Agora no disco virtual estamos colocando para download algumas apostilas, aulas, trabalhos relacionados as nossas matérias, porém o material ainda é pequeno e com poucas materiais, mas qualquer estudante pode contribuir fazendo o upload dos arquivos, de qualquer matéria, qualquer assunto.
Podemos nos unir e construir um bom banco de dados para pesquisa, para nos mesmo, dê sua contribuição para o NOSSO disco virtual.


DISCO VIRTUAL DO CALEA


Abraços

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Disco Virtual

Oi Gente,

Agora nós temos um disco virtual, onde iremos disponibilizar textos, livros, notícias, vídeos, músicas, imagens, materiais do CALEA e um montão de coisa para download.

Estamos só começando, tem bem pouquinha coisa, mas jaja vai ta cheia de coisa pra gente ler, se atualizar, discutir, ampliar o nosso conhecimento, se divertir, e por aí vai.

Dêem uma conferida, já estão disponíveis algumas cartilhas, imagens e textos.

DISCO VIRTUAL DO CALEA





segunda-feira, 7 de julho de 2008

QUEM FAZ A HISTÓRIA

QUEM FAZ A HISTÓRIA

Quem construiu a Tebas das sete portas?
Nos livros constam os nomes dos reis.
Os reis arrastaram os blocos de pedra?
E a Babilônia tantas vezes destruída
Quem ergueu outras tantas?
Em que casas da Lima radiante de ouro
Moravam os construtores?
Para onde foram os pedreiros
Na noite em que ficou pronta a Muralha da China?
A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.
Quem os levantou?
Sobre quem triunfaram os Césares?
A decantada Bizâncio só tinha palácios
Para seus habitantes?
Mesmo na legendária Atlântida,
Na noite em que o mar a engoliu,
Os que se afogavam gritaram por seus escravos.
O jovem Alexandre consquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os gauleses,
Não tinha pelo menos um cozinheiro consigo?
Felipe de Espanha chorou quando sua armada naufragou.
Ninguém mais chorou?
Fredrico II venceu a Guerra dos Sete Anos.
Quem venceu além dele?

Uma vitória a cada página.
Quem cozinhava os banquetes da vitória?

Um grande homem a cada dez anos.
Quem pagava as despesas?
Tantos relatos.
Tantas perguntas.

Bertold Brecht

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Informativo 51º CONEA - Cartilha Preparatória

Saudações, estudantes de Agronomia de todo o Brasil!

Estamos nos aproximando de mais um Congresso Nacional de Estudantes de Agronomia, um encontro em que somamos forças na construção de um mundo mais humano e justo. Em 2008, esse evento ocorrerá no extremo sul do Brasil, na cidade de Porto Alegre / RS, no período de 20 a 27 de julho.

Para que todos possam se preparar de forma adequada, enviamos em anexo a cartilha preparatória, com informações e textos para estudo.

Esperamos que você possa se preparar da melhor maneira possível para mais um Congresso Nacional dos Estudantes de Agronomia. Prepare-se para refletir. Prepare-se para alegria e tristeza; para indignação e esperança; angústia e sonho. Prepare-se para fazer novos amigos e matar a saudade daqueles distantes. Prepare-se para o frio do pampa gaúcho. Prepare sua mochila, sua bagagem estrutural, emocional, intelectual e cultural. Prepare-se para trocar experiências; para aprender e questionar. Prepare-se para namorar e fazer festa; para dormir tarde e acordar cedo. Prepare seu corpo, sua mente e seu coração para essa diversidade de sentimentos, pensamentos, emoções e todos os outros elementos que já fazem parte do 51º Congresso Nacional dos Estudantes de Agronomia.

A cartilha, demais informações e em breve as inscrições encontram-se também no sítio: www.ufrgs.br/conea

Saudações de luta!


"A FEAB é de LUTA!"
Agronomia/UFRGS
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Dicas de Leitura!!!

Oi gente,

Vejam esses Boletins informativos bem legais, sobre Difusão de Tecnologias, feito pelo projeto Agricultura Familiar Agroecologia e Mercado (AFAM) disponível para download ou leitura on-line.

  • MILHO - Receitas, Alternativas, Manejo e Cultivo
Baixe AQUI

  • CAJU - Receitas, Usos Medicinais do Cajueiro, Cultivo Agroecologico e Poda do Cajueiro
Baixe AQUI

  • TECNOLOGIAS ALTERNATIVAS - Banheiro Seco, Água das Chuvas, Agroecologia Urbana e Prevenindo a Erosão
Baixe AQUI

  • ALIMENTAÇÃO - Folhas, Multimistura, Mandioca e Quintais Produtivos
Baixe AQUI

  • FRUTAS, ERVAS e CRIAÇÃO - Receitas, Remédios Caseiros, Espiral de Ervas e Criação de Galinhas
Baixe AQUI

  • CONSTRUÇÕES ALTERNATIVAS - Canos de Bambu, Purificação de Água, Cisternas e Mandalas
Baixe AQUI


*Obs.: Para visualizar basta clicar e esperar carregar, já para baixar no seu computador, espere visualizar e clique "Salvar uma cópia" no canto esquerdo. Os arquivos estão em PDF.

Dicas de Leitura!!!!

Esse site traz informações bacanas sobre agroecologia, organização, práticas ecológicas em compostagem, manejo de solo, defensivos agrícolas, hortas comunitárias, e muito mais.... Divirta-se....

www.agroecologia.inf.br

terça-feira, 10 de junho de 2008

Agroecologia: Plante essa idéia

A cartilha “Agroecologia – plante esta idéia” é a primeira de uma série produzida no âmbito do Projeto Agricultura Familiar, Agroecologia e Mercado (AFAM), coordenado pela Fundação Konrad Adenauer, com co-financiamento da União Européia (UE). A Agroecologia propõe um resgate de saberes das agricultoras e dos agricultores e a sua conexão com conhecimentos científicos para uma agricultura ecologicamente sustentável, socialmente justa e economicamente viável. Cada vez mais pessoas procuram alimentos produzidos de forma ecológica e solidária, sem exploração da natureza nem das famílias do campo. Cada vez mais agricultoras e agricultores estão conhecendo as oportunidades do plantio natural e orgânico e do manejo de agroflorestas. Para tanto, faz-se necessário difundir esta idéia cada vez mais, construindo uma proposta de um manejo sustentável das riquezas naturais e garantindo a soberania alimentar do País.

Baixe a Cartilha AQUI

terça-feira, 13 de maio de 2008

Livros e Textos

Estaremos sugerindo alguns Livros e Textos para leitura da galera, e para iniciar, indicamos um livro muito bom sobre agroecologia e muitos outros assuntos. Livro simples e de fácil leitura, com muitos dados da agricultura no Brasil.

AGROECOLOGIA MILITANTE:

Coletânea de textos referentes a ecologia, biodiesel, agroecologia e organizações sociais. Carrega os aspectos de seu recém-falecido autor, unindo o seu critério da preocupação científica à militancia social junto ao trabalhador rural.